sexta-feira, 26 de junho de 2015


*por Marcel Benayon

Não faz muito tempo estive nos Estados Unidos para visitar alguns amigos. Um deles me chamou para jantar em sua casa e logo após a refeição as crianças correram para a frente da televisão. Perguntei de qual companhia de TV por assinatura eles eram clientes e meu amigo explicou, com orgulho, que não era nenhuma das tradicionais. Estavam surfando em uma onda que começa a ganhar força ao redor do mundo, na qual as pessoas abandonam os serviços de TV convencionais para assistir aos mesmos programas sob demanda, por meio de provedores de serviços como Netflix, Hulu, Crackle, Vudu etc.

Questionei se fora difícil convencer os pequenos a abdicar do conhecido sistema. Como resposta, sob risos, o patriarca explicou que apenas uma frase foi suficiente: "Crianças, a partir de agora vocês poderão escolher o desenho que quiserem ver na TV, não vai ser mais de surpresa como era antigamente". Genial!

Esse fenômeno tende a ser cada vez mais popular. Estamos diante de uma mudança de paradigma provocada pelos serviços de streaming que abrangem a distribuição de diversos tipos de conteúdo, que passam a ser consumidos a qualquer hora e em qualquer lugar, sob demanda dos usuários. Se antigamente tínhamos as rádios, temos agora serviços de música em nuvem, como o Spotify, Rdio, Deezer etc. Se antes íamos ao cinema ou às video locadoras, agora podemos assistir aos filmes de qualquer lugar. Mesmo os seriados, tão amados ao redor do mundo, já estão se adaptando com horários especiais de lançamento online e, principalmente, com programas produzidos especialmente para esse veículo.

Como em toda grande mudança, haverá grandes batalhas com vencedores e perdedores. Hábitos de consumo terão de ser revistos e muitos empreendedores enxergarão as infindáveis oportunidades que virão. Alguns músicos e gravadoras reclamam receber muito pouco pela reprodução online de suas obras. Hoje todo o sistema funciona com base em duas formas de receita: propaganda de anunciantes ou assinatura de clientes. Há grande expectativa para a próxima fonte de receita, a publicidade direcionada. Se um espectador assiste a muitos programas sobre automóveis, anúncios de montadoras, personalizados de acordo com interesses específicos poderiam ser veiculados para esse usuário. Fãs de programas de culinária poderiam receber amostras grátis de ingredientes relacionados aos programas que foram assistidos recentemente. No país do futebol pós-Copa do Mundo, quem assiste aos jogos de seu time favorito poderia ganhar uma mensalidade de sócio-torcedor para experimentar o conforto dos novos estádios.

Muitas empresas estão olhando com atenção e carinho para esse novo mercado. Uma vez que o conteúdo esteja em formato digital e na nuvem, não é obrigatório ter uma televisão para recebê-lo, podendo ser consumido a qualquer hora e lugar, através de celulares, tablets, computadores, videogames, carros, relógios etc. As empresas tradicionais de entretenimento estão correndo atrás do espaço perdido para os novos competidores digitais, lançando seus próprios serviços de streaming.
 
Todos estão de olho não só nas assinaturas mas também na obtenção de dados de consumo detalhados dos clientes. Cerca de 95% das receitas geradas pelos serviços de busca na Web advém da publicidade online, reconhecidamente eficiente quanto ao direcionamento, uma vez que o comportamento dos usários está relacionado com o que procuram. Dados de buscas, compras e até de amigos mais próximos de um usuário se entrelaçam nos conceitos de Big Data, permitindo prever demandas que o usuário ainda nem sabe terá. Varejistas já possuem serviços de entrega de mercadorias em até 1 hora, visando não somente os pedidos regulares, mas também os das compras por impulso oferecidas de maneira precisa aos clientes. Seu time pode até não estar bem na temporada, mas e se aparecer uma promoção de camisa a ser entregue a tempo de usar na manhã seguinte, justamente após aquela emblemática vitória sobre o rival?
A via agora tem duas mãos, afinal a TV também pode te “ver”.

*Marcel é especialista em Software da IBM

Posted on 14:01 by TI+simples

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segunda-feira, 22 de junho de 2015


*por Mariana Lemos 

"Somos todos diferentes. Por isso somos especiais." 


Foi com esta mensagem que foram recebidos os participantes da 9ª reunião do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que desta vez aconteceu na sede da IBM Brasil, nesta segunda-feira, em São Paulo. Não me foi estranho saber que a Big Blue se orgulha em promover ações em prol dos diretos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, mas confesso que sorri por dentro ao ver o porte do evento e o nível das discussões.


Me sentei na última fileira de cadeiras. De lá consegui ver um auditório lotado com funcionários IBM e de empresas como GE, Einsten, Google, Dow Química, Câmara de Comércio Americana LGBT, Carrefour e Citibank, entre tantas outras. Coloquei no peito o bottom da campanha #zerodiscriminação, da Unaids, que ganhei na porta e ouvi a Adriana Ferreira, líder de Diversidade e Inclusão da IBM Brasil, falar que apenas em 2015, 321 funcionários da empresa participaram de 14 sessões de discussões sobre a cultura LGBT.   

Ao longo do circuito de palestras e discussões, uma longa e forte salva de palmas (de pé, diga-se de passagem) para as recentes publicidades da marca O Boticário e Quem Disse, Berenice?, que demonstraram em rede nacional seu apoio a toda forma de amor. A IBM também reforçou suas políticas de diversidade, traduzidas nos 10 compromissos da empresa com a promoção dos diretos LGBT, recorrentemente comunicadas para todos os colaboradores da companhia. 

No palco, grandes profissionais. Entre eles, Lucas Rossi, repórter da Revista Exame, que falou sobre o desafio de escrever a matéria,"Chefe, sou gay", capa de uma das edições deste ano. Os executivos Ricardo Yuki - Superintendente da Área de Risco do City no Brasil - e Sérgio Giacomo - Diretor de Comunicação e Relações Institucionais da GE, que participaram da matéria como fontes, contaram suas impressões pós-publicação. "Muitos acreditam que defendendo diretos LGBT estamos privando direitos de outros, mas o que precisamos entender é que defendemos apenas a igualdade dos direitos humanos", completou. 

Também tive o prazer de entrevistar dois funcionários da comunidade LGBT da IBM para entender um pouco sobre o impacto da cultura da diversidade em suas rotinas. Vejam só. 

          


Paulo Nassar, diretor-presidente da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), apresentou  no encontro sua teoria de que  "a comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina". Lianne Nunes, funcionária transexual da IBM, foi entrevistada em um dos painéis. Ela contou sua luta para assumir no trabalho a mudança de sexo e agradeceu à Big Blue por todo o apoio, num bate-papo emocionante. 

De acordo com a Consultoria Santo Caos, também presente, 16 milhões de brasileiros fazem parte da comunidade LGBT no Brasil. São 60 mil casais gays com união estável no País. A empresa conduziu uma pesquisa com funcionários de companhias brasileiras e descobriu que 40% dos entrevistados já sofreram discriminação direta no trabalho. Ainda segundo a consultoria, uma pesquisa realizada no Reino Unido revelou que empresas com cultura de diversidade sexual possuem 15% mais chance de superar suas metas. 

O repórter da Exame falou para a plateia sobre a importância de abrir o diálogo LGBT nas empresas. A líder de Diversidade da IBM, Adriana Ferreira, contou que a grande preocupação das empresas está hoje em combater o preconceito velado, não só com as pessoas LGBT, mas também contra negros, mulheres em cargos executivos, obesos, entre outras características pessoais que tornam as pessoas diferentes entre si. Entre tantas discussões, polêmicas ou não, online ou offline, saí com a impressão de que falar é, sim, muito importante, mas fazer algo a respeito, ah, isso é louvável.


Posted on 21:33 by TI+simples

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terça-feira, 16 de junho de 2015

*por Mariana Lemos

Mais um ano de CIAB. Em um grande pavilhão do Expo Transamérica, muitas empresas de TI montam seus estandes para mostrar ao 'mundo' das finanças como suas soluções de tecnologia podem revolucionar os negócios. Ou, como a tecnologia ajudará companhias a reconstruírem e a reinventarem seus negócios para atenderem os consumidores da era digital. 

Em uma breve volta pelo congresso é possível ouvir a palavra 'big data' por todos os cantos. No mais, ouvimos falar em nuvem, internet das coisas, segurança, customer experience, e por aí vai... Mas, há alguns anos, a IBM trouxe para o mundo da tecnologia um novo tema, realmente revolucionário. Estamos falando do Watson, sistema cognitivo que possui a capacidade de aprender sozinho. E foi sobre esta revolução que Andy Narayanan (Diretor IBM de Estratégia de Watson para Serviços Financeiros) veio falar no CIAB.



"O Watson pode entender um tuíte, uma matéria, ou qualquer outro tipo de conteúdo, assim como os humanos fazem. Mas, como o Watson faz isso? Como nós, oras. Ele tem a habilidade de observar, interpretar, entender o que fazer com a informação e tomar uma decisão. O cérebro humano funciona dessa forma. O Watson funciona dessa forma.", diz. 

Segundo o executivo, 6 clientes do mercado financeiro já contrataram o Watson ao redor do mundo. Entre eles, o Bradesco. Estas instituições já entenderam que a computação cognitiva gerará vantagem competitiva aos seus negócios. Imagine um sistema cognitivo que, por exemplo, indica melhores opções de investimento de acordo com o perfil do cliente. Ou, planeja uma aposentadoria pensando no estilo de vida que se deseja levar no futuro. 

Andy afirma que mais da metade dos executivos do setor financeiro considera modelos não tradicionais de instituições financeiras como uma ameaça. 

O vídeo a seguir mostra, em dois minutos, como o Watson funciona. 

        

E a pergunta que não quer calar: computadores poderiam substituir humanos? O TED Talks a seguir mostra um raciocínio sobre o tema (conteúdo em inglês).
      

Posted on 18:48 by TI+simples

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