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Pense na seguinte situação: você está no aeroporto e um deficiente visual pede sua ajuda para localizar o painel de voos. Após se localizar, ele agradece seu auxilio e, então, aponta o smartphone que carrega no bolso para o painel e ele automaticamente “lê” as informações sobre os voos que estão na tela. Com a ajuda de um aplicativo, os dados do painel são narrados pelo celular e ele pode saber se seu voo está no horário, por exemplo. Seria um grande passo para a independência de um deficiente visual, não?

Na verdade, esta cena já pode sair do imaginário e passar a ser vista em estações ferroviárias, pontos de ônibus e até em vending machines – aquelas máquinas de venda automática, as mais populares são de alimentos, como refrigerantes, sucos, chocolates e salgadinhos. A ideia do aplicativo surgiu no Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil. O projeto chama-se “Reconhecimento de Conteúdo Dinâmico Assistido por Marcadores” e utiliza recursos de visão computacional, inteligência artificial e de processamento de imagens para fazer o reconhecimento de textos e objetos em ambientes públicos.

Infográfico publicado pela revista Fapesp, em reportagem especial sobre o projeto. Leia a matéria completa aqui 
A principal novidade em relação a aplicativos similares de reconhecimento de imagem é o uso de marcadores. O primeiro protótipo foi desenvolvido em uma vending machine. Foram instalados um conjunto de quatro marcadores nos cantos superiores e inferiores do painel visual do equipamento – aquela janela que mostra o preço e o passo a passo para a obtenção do produto. Esses adesivos funcionam como pontos de referência do aplicativo e facilitam que os objetos sejam detectados e identificados. Caso haja dificuldade no enquadramento do painel – condição necessária para o programa funcionar – o aplicativo orienta o deficiente com avisos em áudio de “desloque a câmera de seu celular mais para a direita” ou “levante um pouco a câmera”.
Depois que o deficiente visual tira a foto do painel, o aplicativo faz a identificação e a leitura do conteúdo. No caso das máquinas, utiliza o método comparativo. O aplicativo tem guardado em sua memória um banco de imagens com a fotografia de todos os produtos vendidos no equipamento, compara os itens captados pela câmera do usuário e verbaliza a oferta de mercadorias. Numa placa ou painel com informações escritas, o programa reconhece as letras e os números, e faz a leitura do que encontrou para o usuário.
O projeto foi premiado na 11ª Conferência Web for All, que reconhece os melhores projetos mundiais voltados à acessibilidade e internet, realizada em abril deste ano na Coréia do Sul. A tecnologia foi submetida ao United States Patent and Trademark Office (Uspto), o escritório norte-americano de patentes. Esta foi uma das 19 patentes solicitadas pela IBM Brasil ao Uspto somente nos seis primeiros meses deste ano.
Gostou? Para entender melhor como funciona essa tecnologia desenvolvida pelo Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil, assista ao vídeo com a demo deste projeto:

               

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