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*por Marcel Benayon

Não faz muito tempo estive nos Estados Unidos para visitar alguns amigos. Um deles me chamou para jantar em sua casa e logo após a refeição as crianças correram para a frente da televisão. Perguntei de qual companhia de TV por assinatura eles eram clientes e meu amigo explicou, com orgulho, que não era nenhuma das tradicionais. Estavam surfando em uma onda que começa a ganhar força ao redor do mundo, na qual as pessoas abandonam os serviços de TV convencionais para assistir aos mesmos programas sob demanda, por meio de provedores de serviços como Netflix, Hulu, Crackle, Vudu etc.


Questionei se fora difícil convencer os pequenos a abdicar do conhecido sistema. Como resposta, sob risos, o patriarca explicou que apenas uma frase foi suficiente: “Crianças, a partir de agora vocês poderão escolher o desenho que quiserem ver na TV, não vai ser mais de surpresa como era antigamente”. Genial!

Esse fenômeno tende a ser cada vez mais popular. Estamos diante de uma mudança de paradigma provocada pelos serviços de streaming que abrangem a distribuição de diversos tipos de conteúdo, que passam a ser consumidos a qualquer hora e em qualquer lugar, sob demanda dos usuários. Se antigamente tínhamos as rádios, temos agora serviços de música em nuvem, como o Spotify, Rdio, Deezer etc. Se antes íamos ao cinema ou às video locadoras, agora podemos assistir aos filmes de qualquer lugar. Mesmo os seriados, tão amados ao redor do mundo, já estão se adaptando com horários especiais de lançamento online e, principalmente, com programas produzidos especialmente para esse veículo.

Como em toda grande mudança, haverá grandes batalhas com vencedores e perdedores. Hábitos de consumo terão de ser revistos e muitos empreendedores enxergarão as infindáveis oportunidades que virão. Alguns músicos e gravadoras reclamam receber muito pouco pela reprodução online de suas obras. Hoje todo o sistema funciona com base em duas formas de receita: propaganda de anunciantes ou assinatura de clientes. Há grande expectativa para a próxima fonte de receita, a publicidade direcionada. Se um espectador assiste a muitos programas sobre automóveis, anúncios de montadoras, personalizados de acordo com interesses específicos poderiam ser veiculados para esse usuário. Fãs de programas de culinária poderiam receber amostras grátis de ingredientes relacionados aos programas que foram assistidos recentemente. No país do futebol pós-Copa do Mundo, quem assiste aos jogos de seu time favorito poderia ganhar uma mensalidade de sócio-torcedor para experimentar o conforto dos novos estádios.

Muitas empresas estão olhando com atenção e carinho para esse novo mercado. Uma vez que o conteúdo esteja em formato digital e na nuvem, não é obrigatório ter uma televisão para recebê-lo, podendo ser consumido a qualquer hora e lugar, através de celulares, tablets, computadores, videogames, carros, relógios etc. As empresas tradicionais de entretenimento estão correndo atrás do espaço perdido para os novos competidores digitais, lançando seus próprios serviços de streaming.
 
Todos estão de olho não só nas assinaturas mas também na obtenção de dados de consumo detalhados dos clientes. Cerca de 95% das receitas geradas pelos serviços de busca na Web advém da publicidade online, reconhecidamente eficiente quanto ao direcionamento, uma vez que o comportamento dos usários está relacionado com o que procuram. Dados de buscas, compras e até de amigos mais próximos de um usuário se entrelaçam nos conceitos de Big Data, permitindo prever demandas que o usuário ainda nem sabe terá. Varejistas já possuem serviços de entrega de mercadorias em até 1 hora, visando não somente os pedidos regulares, mas também os das compras por impulso oferecidas de maneira precisa aos clientes. Seu time pode até não estar bem na temporada, mas e se aparecer uma promoção de camisa a ser entregue a tempo de usar na manhã seguinte, justamente após aquela emblemática vitória sobre o rival?
A via agora tem duas mãos, afinal a TV também pode te “ver”.

*Marcel é especialista em Software da IBM

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Comentários

Anônimo
26 de junho de 2015

Ótima discussão sobre um dos principais meios de comunicação.

Anônimo
26 de junho de 2015

ótimo post, parabéns!

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