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*por Mariana Lemos
Você é ‘exatas ou humanas’? Esta famosa pergunta que remete à adolescência parece nos definir como pessoas por toda a vida. Quantas vezes você já escutou um “sou de humanas, não sei fazer cálculos”?
Há quem pense que as inovações tecnológicas são criadas por uma série de engenheiros que usam óculos e ficam trancados em salas com lousas lotadas de cálculos. Não é bem assim. Até uma tecnologia virar realidade, ela passa por um caminho de concepção, criação, testes, e por aí vai. E o conceito de uma solução pode ser criado, por exemplo, por antropólogos.

Conheça algumas das lições que a antropologia ensinou para a IBM.

-> Veja o que ainda não foi visto. O ‘Vuja de’ surgiu do ‘Déjà vu’, famoso jargão que traduz a sensação de já se ter vivido um determinado momento. Em francês, a expressão Déjà vu significa: já visto antes. Mas o conceito ‘Vuja de’ é bem diferente ou, quase o oposto. ‘Vuja de’ é o nome que se dá ao fenômeno de encontrar uma nova maneira de enxergar fatos já conhecidos. Estamos falando do exercício contínuo de encontrar, em situações rotineiras, o que ainda não foi percebido. É possível, por exemplo, descobrir uma nova paisagem, um novo caminho, o som de um instrumento nunca ouvido antes em uma música que conhecemos há anos. Incríveis percepções podem surgir a partir deste exercício, inclusive no mundo da tecnologia. O ‘Vuja de’ é o ponto de partida para a inovação.
-> Não saber nada é saber alguma coisa. Isso mesmo. Porque não saber sobre algo pode ser a porta de entrada para aprender. Quem entende que não sabe normalmente está aberto ao aprendizado e possui uma grande capacidade de absorver conteúdos e desenvolver habilidades. Então, se orgulhe do ‘não saber’. Com o pouco que usamos do nosso cérebro é possível aprender novas coisas durante toda a vida.
->A Inovação nem sempre é disruptiva. Aliás, a probabilidade de uma inovação surgir da intensa repetição é bastante grande. Isso porque a repetição promove mudanças. E as mudanças causadas pela repetição podem superar a tradição. Logo, é possível inovar na repetição da tradição. Não é tão complexo quanto parece. Lembre-se, antes de desconsiderar algo tradicional em busca de uma inovação, estude o que já existe. O segredo pode estar ali.

*Quem ensinou estes conceitos para algumas das milhares de mentes brilhantes da IBM Brasil foi Fernanda Antonioli, jovem antropóloga integrante do laboratório de pesquisa da companhia.

A aposta da Big Blue nas ciências sociais não é nova. Aliás, há tempos que se ouve falar em antropólogos e pesquisadores no mundo da tecnologia, mas o que chama a atenção é o nível de interesse pelo assunto nos dias de hoje. O fato é que a tecnologia é interdisciplinar e abriga muito bem a antropologia, que ajuda a entendermos a realidade das pessoas, das empresas, do mundo. Afinal, queremos tecnologia a vácuo ou tecnologia com fundamento?

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Comentários

Andreia Marin Martins
25 de setembro de 2016

Só não entendi o que a autora quis dizer com a frase “com o pouco que usamos do nosso cérebro…”, não sou neurocientista, mas por tudo que já li a respeito me parece que sempre utilizamos sim a totalidade da capacidade neurológica do cérebro, tanto nas funções voluntárias quanto involuntárias. Sou uma apaixonada por informação, das mais variadas fontes, por isto que a computação cognitiva é tão fascinante para mim, que sou uma pessoa “fora do tempo”!!

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