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* por Andriei Gutierrez, Gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da IBM Brasil
Você já parou para pensar que o seu smartphone tem mais informações suas e da sua família do que a sua própria casa? Já refletiu sobre o potencial nocivo que uma invasão e roubo dos dados nesse pequeno aparelho podem ter para sua vida?
Afinal, quase tudo está lá: o que você pensa, fala, escreve, informações financeiras, contatos de familiares, senhas de bancos, de email, de redes sociais, fotos que levam consigo os dados de quando e onde foram tiradas. Um belo estrago se essas informações caíssem em mãos mal-intencionadas!
No mundo dos negócios as preocupações não parecem ser menores. Dados sensíveis de clientes precisam ser protegidos, transações financeiras são feitas diariamente, funcionários trocam e armazenam informações estratégicas.
Imagine a responsabilidade de um chefe de Estado. Que tipo de informações ele usa, armazena, transfere? Sem dúvidas, os danos de um vazamento de dados nesse nível podem ter grandes dimensões e afetar muita gente. Acredite, isso pode acontecer! :-)
Hackers da China recentemente invadiram a agência americana encarregada da gestão de pessoal do governo e roubaram cerca de 22 milhões de arquivos com informações sensíveis de funcionários públicos federais. Há pouco mais de uma semana, o email pessoal do próprio diretor da CIA foi hackeado e documentos de estado foram vazados na internet. Entre as novas modalidades de crimes cibernéticos está o sequestro de arquivos digitais. Seus dados ficam sequestrados e, caso você não pague o resgate em até 72 horas, são apagados. Enfim, a criatividade humana é sem limites, para o bem e para o mal.
Mas como, então, pode o cidadão comum, o empresário, o chefe de Estado se protegerem na era digital?
Se tem uma grande lição que aprendemos com essa nova era é que ela atropela fronteiras políticas. É preciso proteger os dados e as comunicações. Isso é inquestionável. Mas os fatos estão mostrando que os mecanismos tradicionais de proteção estatal não têm mais a mesma eficácia que tiveram no passado.
É importante termos uma estratégia nacional de segurança cibernética, com recursos e pessoal capacitado, como já discutido no nosso THINKPolicyBrasil #1. Igualmente de grande relevância é termos marcos legais para a proteção à privacidade, tema do nosso THINKPolicyBrasil #2. Os ataques cibernéticos, todavia, evoluem rapidamente. Seu combate deve evoluir no mesmo passo. Não deixa de ter razão o ex-ministro sueco Carl Bildt em sua afirmação recente de que a segurança no mundo digital está na tecnologia, não na geografia.
Nos dias atuais, a prosperidade econômica tem se ancorado cada vez mais no livre fluxo de dados. A seu modo, a prosperidade política também, a exemplo das experiências democráticas na Estônia e do avanço dos conceitos de governo eletrônico e governo móvel. Mas como garantir a segurança nesse contexto no qual os dados, mesmo os mais sensíveis, estão em toda a parte, cruzam os oceanos por cabos submarinos e podem ser acessados de qualquer lugar na nuvem?
Longe de querer esgotar o tema, e como otimistas tecnológicos que somos, acreditamos que a solução passa por investimentos em desenvolvimento de novas tecnologias de proteção e segurança. Tecnologias que têm hoje seu desenvolvimento limitado mais por questões humanas e de mentalidade do que propriamente técnicas.
A criptografia, por exemplo, tem se mostrado um eficiente mecanismo de proteção de dados, de transações e de comunicações. Os governos e a sociedade precisam enxergá-la como uma importante aliada que deve ser protegida e estimulada por políticas públicas específicas. É preciso confiar, acreditar e fomentar esse tipo de tecnologia.
Novos conceitos produtivos também têm se firmado progressivamente como importantes elementos para a mudança de mentalidade, tais como o de Privacy by design e Security by design. É de altíssima relevância que a proteção à privacidade e à segurança estejam presentes já na própria concepção e no desenvolvimento de produtos e serviços, do início ao final do processo produtivo. Boas práticas corporativas, como essas, devem ser cada vez mais encorajadas e estimuladas.
A nova era digital necessita um novo cidadão digital, um novo executivo digital, um novo governante digital. É preciso que cada um tenha as condições de exercitar sua cidadania digital em plenitude, com zelo à privacidade e à segurança. E essa mudança de mentalidade deve começar aqui e agora, de modo a valorizar e estimular o desenvolvimento de escudos digitais.
* Este post foi desenvolvido com base no texto Preserving the Integrity of Encryption, de Andrew Tannenbaum, IBM Cybersecurity Counsel. Faz parte da série THINKPolicyBrasil, que agrupa a nossa visão sobre políticas públicas para assuntos vitais para o futuro do comércio, da inovação e da sociedade brasileira.

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