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*Por Carolina Cestari

734 mil. Este é o número de pessoas com AIDS no Brasil, segundo o relatório anual do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Hoje, estima-se que 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo têm o vírus. Para os que pensam que estamos falando de uma doença altamente epidêmica, saibam que não é o caso. A AIDS é o estágio mais avançado de uma doença que ataca o sistema imunológico humano e é causada pelo vírus HIV, que é contraído via relação sexual desprotegida, transfusão de sangue ou amamentação.
Pois bem, o HIV foi um dos temas do 11º Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que aconteceu na sede da DuPont em Alphaville (SP). O debate reuniu funcionários de 150 empresas e fez o auditório “ferver” do começo ao fim. Líderes discutiam a questão da diversidade para alavancar o diálogo e o respeito com a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais nas companhias. A ideia era melhorar a inclusão social.
Lá eu conheci a Silvia Almeida, carinhosamente chamada de Silvinha. Ela é uma ativista aposentada, tem 52 anos e há 22 convive com a AIDS. É membro da diretoria do Grupo de Incentivo à Vida e do Instituto Cultural Barong, além de coordenar projetos de prevenção a AIDS, programas de apoio e palestras. De bem com a vida e consigo mesmo, ela adora dançar, ficar com os amigos e viajar. De longe, nota-se seu sorriso e seu otimismo, que não se deixa abater pelas diárias doses do coquetel antiviral.
A notícia da doença lhe foi dada em 1994, quando descobriu que seu marido era portador do vírus. “Naquela época nós não tínhamos medicação. Eu precisei ser forte. Cuidei do meu marido e dos meus filhos”, lembra. “Poderia acontecer qualquer coisa, menos eu morrer de AIDS”.
Telefonista na Anglo American, ela sentiu todos os efeitos colaterais de uma soropositiva. “No início, tive receio de contar o que estava acontecendo e, quando expus, me surpreendi com o apoio da empresa. Tinha todo o suporte para enfrentar o que eu estava passando”. Depois de seis anos, Silvia começou a atuar na área de Responsabilidade Social e implementou a Política de Prevenção Global da empresa no Brasil. “Eu representava todas as mulheres que viviam com HIV dentro da empresa e a minha luta era constante contra a discriminação”. Silvia dedica sua rotina às pessoas soropositivas. Ajuda quem precisa e educa quem ainda não tem orientação adequada.
Como consultora, faz com que empresas percebam a necessidade de se preocupar também com a saúde dos funcionários. “As companhias precisam de práticas continuadas de educação e direitos humanos. Precisam pensar o que elas podem contribuir para combater a epidemia”, diz. “Se a gente conseguir mostrar para as pessoas que um portador do vírus HIV tem nome e sobrenome, qualidade e defeitos, família e amigos como qualquer outra pessoa, a gente acaba com o preconceito”.

Políticas LGBT

Bem, é fato é que a AIDS é uma doença bastante discutida entre a comunidade LGBT, mas no fórum tive a oportunidade de perceber também que grandes companhias estão se estruturando para criar ambientes de trabalho justos e confortáveis para essa comunidade. O que me chamou bastante atenção foi a luta contra o preconceito de gênero, que hoje ainda é tão forte na nossa sociedade.
Pensando em entender as políticas de igualdade de gênero nas empresas fui conversar com Serge Giácomo, Diretor de Comunicação e Relações Públicas da GE na América Latina, e com a nossa anfitriã Eliane Ranieri, Gerente de Diversidade da IBM Brasil na América Latina. Para a minha grata surpresa, existem políticas e atividades muito bem estruturadas neste sentido. Vejam só:

 

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