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fogueteO termo “Startup” nasceu no início da década de 90, assim que se iniciou a grande bolha da internet. Entretanto, de acordo com dados da Associação Brasileira de Startups – ABStartups, nos últimos cinco anos o mercado presenciou um “boom” dessas companhias, que já nascem digitais ou com forte base tecnológica, são ultra conectadas, reconhecidas como extremamente inovadoras e sustentáveis, e que possuem um modelo operacional tipicamente simples, leve, menos burocrático, colaborativo e focado em resultados. Isso quer dizer que elas já nascem com DNA Agile!

Mas o que podemos aprender com isso? Será que é possível escalar algumas dessas características em nível corporativo para o aprimoramento da eficácia de resultados em grandes empresas? Sim! Na verdade, a IBM vem adotando a prática de uma cultura Agile e mostrando que isso é possível mesmo em grandes corporações. Uma mudança capaz de potencializar números de produção, acelerar relações de mercado e reduzir significativamente erros no trabalho em equipe. Afinal, qualquer grupo de pessoas que aplica um conjunto de valores que demanda qualidade, rapidez e inovação para sua produção vai adquirir um rendimento superior, não é mesmo? Para que possa entender como isso funciona, o TI+Simples entrevistou Murilo Gimenes Rodrigues, gerente responsável por Agile e DevOps na IBM Brasil. Confira!

1 – Agile é um conceito ou uma cultura?

Agile é uma cultura baseada em valores, princípios e práticas que se manifesta diretamente em uma nova maneira de trabalhar. Esta é uma definição que permite atingir um nível absolutamente superior de benefícios do que tratar o tema apenas como um conceito (sem implicações práticas) ou uma metodologia (sem um olhar comportamental ou cultural).

2 – Qual a aplicabilidade dela na IBM?

Muita gente pensa que Agile só se aplica ao desenvolvimento de software e não é essa a conclusão que temos chegado. Eu e minha equipe estávamos almoçando esses dias e conversando sobre como alguns conceitos de agilidade permeiam um restaurante, por exemplo. Como cultura, ela se aplica a qualquer equipe, além de ser nitidamente escalável. Claro que, por ser uma transformação cultural, não é uma jornada que se faz do dia para noite, mas atrai o interesse, poliniza, ganha músculos, escala e amadurece dia após dia.

3 – De que forma isto está transformando a nova forma dos funcionários trabalharem na companhia?

 Por meio da cultura Agile, proporcionamos maior autonomia às equipes, enfatizamos a importância da clareza de propósito em tudo o que fazemos e focamos muito mais no talento, na competência e criatividade humana versus apenas seguir processos. Do meu ponto de vista, o aspecto mais incrível dessa cultura é de ser a melhor semente da inovação. Entender, viabilizar e permitir a inovação e a melhoria contínua de maneira bottoms-up é uma das consequências mais interessantes nessa nova maneira de trabalhar. Recentemente, um pequeno time ágil implementou uma solução cognitiva disruptiva de altíssimo valor agregado em poucas semanas, que vem sendo melhorada em curtos ciclos de releases, e isso é um exemplo claro do poder dessa cultura.

4 – Como o time comercial se beneficia do Agile?

Tenho visto um nível de engajamento e satisfação muito maior do time comercial com o trabalho de CIO. Desde a formação de uma ideia ou demanda, do trabalho de design thinking até as entregas interativas, Agile tem ajudado a garantir que estamos sempre priorizando corretamente e entregando algo que os usuários querem de verdade e se sentem entusiasmados em usar no dia a dia, para que seu trabalho seja mais efetivo.

5 – É correto afirmar que a mobilidade e cloud computing estão ajudando o time comercial a ser mais ágil? Podemos dizer que a cultura de Agile está ligada a essas tecnologias?

Esses são dois temas de vizinhança muito próxima à cultura ágil. Cloud computing traz uma velocidade incomparável, e temos sido “heavy users” de IBM Cloud, Bluemix, do conceito de APIs e assim por diante. Mais do que a velocidade, cloud facilita a experimentação sem aquele medo de falhar e/ou trazer maiores impactos do ponto de vista de investimento. Mobilidade, por outro lado, deu um grande impulso em soluções simples, efetivas, fáceis de usar e consumir, que foquem na experiência do usuário, e obviamente, trazem toda a conveniência inerente à plataforma.

6 – Essa ‘transformação’ tem a ver com a mudança no modelo de gestão que o CIO da IBM Global, Jeff Smith, propôs em 2014?

Sem dúvida! O novo CIO é um líder ímpar, que aposta nessa nova cultura e em como isso se traduz de maneira prática no modelo operacional da organização. As mudanças que ele vem provocando são bastante positivas e todo o departamento tem demonstrado uma energia e entusiasmo muito especial. O próprio Jeff aplica os valores, princípios e práticas de Agile no dia a dia e isso é um grande estímulo para todas as equipes e liderança. Um exemplo de “walk the talk”!

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