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 *Por Bruno Favery, Maria Fernanda Espinosa e Kelly Bassi
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Que o blockchain ainda é um mistério a ser desvendado pelo mercado, isso com certeza é. Antes achávamos que se tratava de, traduzindo ao pé da letra, uma cadeia em blocos focada em troca de valor financeiros. Hoje, durante palestra do CIAB, descobrimos que não é bem isso. Na verdade, a melhor analogia que ouvimos até hoje sobre o assunto, que explica de forma totalmente didática o conceito, foi dita pelo diretor de pesquisa do Gartner, Fabio Chesini. Ele comparou Blockchain a uma máquina que vende batatas chips e outras guloseimas, mais conhecida como vendor machine.
22692158867_8f6e442208_oEstas máquinas, geralmente disponibilizadas em alguns locais públicos e privados, como metrô, empresas, cafés de hospitais etc, são o maior exemplo de troca de valores, que não são exatamente financeiros, mas que dependem de uma via de negócios para que a transação seja completa. Simplificando, você precisa ter uma forma de acesso à máquina quando insere o dinheiro, daí recebe o produto escolhido.
Imagine isso como blockchain: a batata chips faz parte de uma cadeia em blocos cujo valor é estimado por quem a compra. A moeda inserida na máquina é a forma de acesso para o produto. Ou seja, sem o reconhecimento deste valor depositado, a pessoa não consegue comprar. Por isso dizem que o blockchain mudará totalmente a segurança dos dados de diversas indústrias. Outra informação ultra importante e que é a base de todo o processo de blockchain é a confiança. Veja bem: a empresa que colocou a máquina de batatas lá sabe que você só poderá retirar seu saco de salgadinhos se pagar o valor correspondente. Aliás, ela acredita que você não irá tombar a máquina para pegar o produto.
Para confirmar essa explicação, o diretor do IBM Blockchain Lab, Nitin Gaur, esclareceu que hoje a tecnologia de blockchain não está, como dissemos acima, presa ao setor financeiro e que as aplicabilidades são inúmeras e para quaisquer transações que envolvam informações sensíveis e extremamente importantes para os negócios de qualquer indústria. Isto é, pode-se circular dentro desta cadeia de forma confiável (olha a confiança aí de novo), por exemplo, escrituras de imóveis, toda a parte processual de um cartório de registros, seguro de automóveis, laudos médicos, entre outros.
Mas algumas pessoas podem se perguntar: tá, mas como é que funciona isso? É mesmo o lance da máquina de batata chips. Se observarmos dentro de um equipamento desses tem chocolate de uma marca X, salgadinhos de uma Y, refrigerante Z etc. Todos são vendidos dentro de um só equipamento, sob uma mesma legislação, é como se a catalogação dos produtos fossem como livros-registro – chamado pelo mercado de ledger – onde todos compartilham de uma mesma regulamentação. O mesmo ocorre com o blockchain: todas as partes envolvidas dividem um mesmo ledger. No caso de um cartório de imóveis, por exemplo, a corretora de imóveis, a construtora, o banco e o próprio local de registros possuem essa rede interligada na qual nenhuma informação sai ou entra sem que todos estejam recebendo os mesmos direcionamentos e também que haja um consenso de todas as partes. Isso poupa tempo, reduz custos e riscos.
Para fechar essa palestra fascinante e até arriscamos dizer, visionária – pois poderá mudar completamente o curso das coisas e a forma como fazemos negócios – o superintendente geral da CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), Joaquim Kiyoshi Kavakama, falou sobre os casos de uso no Brasil. Por enquanto, o blockchain está sendo utilizado por startups e também para operações como controle de documentação de câmbio, desconto de duplicata, bitcoin, validador de contas corrente e pagamentos e doação de valores.
De acordo com o Joaquim, o mercado brasileiro tem ainda alguns desafios para que as diversas indústrias se abram para essa tecnologia. Ele listou: técnico (falta de padronização, escassez de desenvolvedores, escabilidade etc), mercado (massa crítica e adoção de novos usuários, custos, movimentação de ativos para o blockchain), educacional (visão executiva limitada, baixa usabilidade, gerenciamento de mudança, entre outros) e regulatório. Para os próximos passos ele acredita que será necessário manter a participação em finanças nacionais e internacionais, aproximar-se de startups do ramo, além de criar um projeto piloto para familiarização com a tecnologia e, por último, e que ele acredita ser mais importante, criar um grupo para a definição de padrões para a índústria.
É…depois dessa palestra, a gente percebeu que talvez a transformação será tão grande que poderá representar uma nova forma de negócios e também uma quebra de paradigma para que os bancos e toda a indústria financeira possa se reinventar. Por falar nisso, fizemos uma cobertura completa do CIAB 2016 que toca bastante no tema inovação para este setor. Confere lá!

Ah sim! O portal Canaltech também fez um vídeo muito legal sobre o assunto. Vale a pena conferir:

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