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Por Marcia Golfieri* –

A quinta revolução da inovação está aí! A música está tocando e é hora de saber quem vai pra pista.

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O mundo altamente conectado aglomerou às portas das empresas uma multidão de Professional Amateurs, traduzindo para o português, profissionais amadores, que são  obcecados por compartilhar o que conhecem sobre os produtos e serviços que usam ou querem usar.

Esses caras, também chamados de Pro-Ams, são primordiais para a inovação no mercado. Você se Lembra da Mountain Bike, Aquela bicicletinha invocada que você certamente desejou na sua adolescência aventureira? Foram os Pro-Ams que inventaram. A história é a seguinte: cansados das bicicletas de corrida e da falta de atenção que as companhias lhes davam, jovens do norte da Califórnia começaram a montar suas próprias bikes personalizadas e adequadas às suas necessidades. Faziam isso  com peças manufaturadas, tiradas das tradicionais bicicletonas, pedaços de motos e tudo o mais que viam pela frente. Assim, formaram as Mountain Bikes. A colaboração constante fez com que jogassem luz em um mercado de bilhões de dólares que foi absorvido por uma grande empresa com alguns anos de atraso.

Tem sido assim com a inovação há anos! Muito ruído, mas poucos ouvidos acostumados à  música. Durante algum tempo, o barulho da multidão dos Pro-Ams foi solenemente ignorado pela área de pesquisa e desenvolvimento das empresas. Por sinal, de onde surgiu a necessidade de se discutir a inovação aberta e contar com a ajuda deles?

Em tempos de unicórnios coloridos com DNA de Startup e do novo hype, pode-se imaginar que criar inovação aberta em grandes companhias envolve um espaço amplo com mobília descolada e jovens cientistas incríveis com suas bermudas e mesas de pingue-pongue. Na teoria, essas mentes brilhantes levam  ideias geniais diretamente aos consumidores, mas na prática… Se você é gestor de uma grande companhia e acha que este é o caminho, a receita do bolo pode até parecer simples: para mais inovação basta investir em mais lugares especiais e mais pessoas legais,  que vão  gerar mais ideias geniais e pronto,  a inovação chegará aos clientes, certo? Errado!!

Open innovation não é um conceito propriamente novo. O termo, cunhado por Chesbrough, em 2003, abriu caminho para uma gama de tendências que levaram grandes empresas a repensar sua tradicional forma de fazer inovação. A imagem abaixo ilustra o conceito de inovação aberta criado por Chesbrough. O funil de entrega de inovação, desenhado em mão única, está sofrendo um refluxo das incontáveis ideias vindas do mercado que não cabem mais nos espaços fechados. Os usuários e a comunidade de Pro-Ams querem falar, falar alto, falar muito e por a mão na massa!

Catalizador

Uma pista para a solução de como recepcionar essa multidão parece estar na figura dos catalisadores corporativos de Scott Anthony. Veja que os espaços conjuntos de trabalho reúnem grandes empresas, clientes e ecossistema visando co-criar soluções. Estou falando de seres com ‘grandes orelhas’, que vão angariando histórias, garimpando pessoas e aos poucos criando buracos e espaços, transformando as portas fechadas dos laboratórios de pesquisa em membranas permeáveis e transparentes. É este o tal lugar presente onde cientistas podem espiar e deixarem-se serem espiados e, onde algumas vezes há interação entre o desenvolvimento da alta tecnologia, dos novos talentos e da experiência de usuário.

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Por incentivar essa aproximação, esses prof issionais com grande capacidade de ouvir são chamados de catalisadores corporativos. Dentre suas ações mais evidentes (sim, eu e meu time no THINKLab estamos inclusos) estão as desconferências, os openspaces, os Hackathons, as APIs abertas, a associação com tecnologias abertas (open source), comunidades  e o crowdsourcing. É isso que trazemos para o ambiente corporativo: a colaboração.

Essa imagem ilustra o que o que os catalisadores corporativos estão fazendo na IBM hoje. Abrindo o relacionamento entre o mercado (lado esquerdo) e o Laboratório de Pesquisa (lado direito).

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É natural que as grandes companhias tendam a reforçar sucessos passados e possuam aversão a problemas. Assim, mesmo que involuntariamente, por cultura e cautela é comum que um funcionário apareça com uma ideia de inovação incremental, mas é incomum que sejam apresentadas, dentro das grandes corporações, ideias embrionárias, para mercados não mapeados e sem garantia de retorno. Por isso, além da co-criação de soluções, outro fator se faz necessário: o compartilhamento do risco.

Ninguém, em sã consciência na indústria musical poderia defender o MP3. Ninguém na Kodak defendeu a fotografia digital,  foi só nas ruas que a ideia pôde florescer. É aí que acredito que a open innovation pode gerar relevância para grandes empresas e Startups! Para as corporações o compartilhamento de risco e a ausência de padrões hierárquicos, que enchem de cautela os processos criativos, pode ser uma saída para a produção de algo realmente disruptivo.

Inovar de forma aberta é um modo de uma grande empresa ver o novo, participar do novo, adaptar-se ao novo, a tempo de não perder o passo. Para as Startups, a inovação aberta oferece acesso à alta tecnologia, à confiança de clientes grandes e aos canais de distribuição globais.

Assistimos a quatro eras de inovação. Passamos de inventores visionários a laboratórios corporativos. Vimos o venture capital arrastar a criatividade para fora das empresas tradicionais e estamos assistindo, ainda um pouco espantados, o trabalho dos catalisadores. Podemos agora experienciar a quinta era, que une o mundo tradicional e sólido das grandes empresas ao apetite por criar novos modelos de negócios sem medo dos riscos.

Os departamentos de pesquisa e desenvolvimento e o mundo fora deles devem não só espiar uns aos outros, mas também escancarar as portas para uma grande festa de cooperação. Cabem neste sonho todos os bichos estranhos que isso possa vir a gerar: aceleradoras,  joint ventures, computação cognitiva, revenue share, spin offs, sucessos, fracassos, equities e música. Para que isso pouse é preciso que as grandes empresas e o ecossistema dem juntos passos em direção à pista e tirem um ao outro pra dançar.

 No fim é isso que open innovation significa: um convite à real e apaixonante aproximação. E você? Está pronto para dançar?


*Catalista Corporativa e Desenvolvimento de Ecossistema para Pesquisa e Inovação no IBM THINKLab

 

Quer continuar nesta pista de dança da inovação? Acesse também:

Insight: Ideas for Change – Open Innovation – Henry Chesbrough

Where good ideas come from by Steven Johnson

Everything You Need to Know About Open Innovation

The New Corporate Garage

A inovação aberta é o caminho para sua transformação digital

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