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– Por Daniela Nudel –

Há alguns anos queria entender por que meu pai havia decidido voltar a estudar. Poxa, eu era criança, estava há um tempão tentando acabar logo a escola e um dia meu pai chega em casa dizendo que iria voltar a estudar, como assim? Era um tal de doutorado. Ele iria dedicar noites e finais de semana e pediu a compreensão da família. Enfim, se não pode vencê-los, junte-se a eles. Então, no auge dos meus 10 anos de idade, falei que iria ajudar meu pai nos estudos! E que para isso precisava entender sobre a tese de doutorado em medicina que ele iria fazer. Ouvi com muita atenção e tudo o que consegui compreender foi: ele tentava encontrar uma relação entre uma tal de proteína p53 e alguns tipos de câncer. “Uau, meu pai é um herói”, pensei. Cinco anos se passaram e qual foi minha surpresa ao saber que meu pai não iria descobrir a cura do câncer. Os cinco anos, ele me explicou, serviram para indicar que poderia existir uma correlação entre as variáveis.

Anos depois, em uma manhã que me dedicava à leitura, me saltou aos olhos uma notícia por conter a palavra p53. “Opa, conheço isso de algum lugar”. Pronto! A computação cognitiva entrou de verdade na minha vida. Ora, eu já conhecia o conceito, já sabia o potencial de transformação que a humanidade poderia ter com os avanços da tecnologia nessa nova era, mas quando vi as palavras p53 e Watson juntas, na mesma frase, caiu a ficha de vez. “Meu pai e o Watson são heróis”.

Na verdade não tem nada de heroísmo nisso, o Watson é projetado para lidar com uma quantidade absurda de dados estruturados e não estruturados, para comprpoder-do-storytellingeendê-los e gerar hipóteses baseadas em evidências. Técnicas computacionais baseadas em modelos matemáticos fundados em redes neurais orgânicas, aquelas que adquirem conhecimento por meio da experiência, já são uma realidade. É fascinante! O Watson realmente aprende e fica mais inteligente a medida que interage, seja com pessoas ou com novos dados. Voltando ao que descobri naquela manhã: uma equipe de cientistas, biólogos e analistas de dados haviam identificado, com precisão e em poucas semanas, diversas proteínas que modificam a p53, associada a muitos tipos de câncer. E isso graças à utilização das capacidades cognitivas do Watson, que analisou mais de 70.000 artigos científicos sobre a p53 para prever quais podem ativar ou desativar esta proteína.

Olha só! Somente para absorver todo esse conteúdo meu pai sozinho demoraria cerca de 38 anos, enquanto que, com a ajuda do Watson, em algumas semanas foram identificadas seis potenciais proteínas a serem analisadas ​​em futuras pesquisas. É claro que um sistema de inteligência artificial não substitui meu pai. Ele é único e um excelente profissional. O incrível é que atualmente ele já poderia usar sistemas de computação cognitiva para ajudar nas difíceis decisões que precisa tomar todos os dias com relação a seus pacientes, com o aprimoramento de subsidio técnico e científico. Essa referência me fez perceber que a nova era da tecnologia estava de vez na minha vida. Talvez também já tenha entrado na sua vida de alguma maneira, e pode ser que você nem percebeu ainda.

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Comentários

Corazza
2 de agosto de 2016

Estória super interessante. A mensagem que fica é que seu pai + watson fariam uma dupla imbatível!
Seu pai construindo novas testes e hipóteses e o Watson ajudando a testa-las muito rapidamente.

timaissimples
2 de agosto de 2016

Oi, Corazza,
Obrigado pela mensagem! Que bom que gostou do texto.
Acompanhe o TI+Simples, temos sempre muitas histórias e notícias para contar.

Priscilla Garcia
2 de agosto de 2016

Maravilhosa história, parabéns! Com certeza vamos começar a identificar o Watson cada vez mais perto da nossa realidade, é só ficarmos atentos aos detalhes do nosso dia a dia! É isso aí Watson.

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