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Gordon Moore

Gordon Moore

Já cansamos de falar e ouvir sobre inovações e as facilidades que as tecnologias contemporâneas nos oferecem. Os devices, serviços e apps da última geração tornam indiscutivelmente nossa vida mais fácil. Mas, será que essa tecnologia toda vai continuar a evoluir? Ou será que vai estagnar? Será que notebooks ficarão ainda mais finos, smartphones ainda mais rápidos e os serviços digitais ainda melhores? Isso pode até ser assunto para mesa de bar (uma mesa nerd, ok), mas existe um conceito bastante curioso que discute a inovação: a Lei de Moore. E de acordo com essa tal lei, a evolução tem um tempo certo para chegar.

Estabelecida em 1965 por meio de um estudo publicado por Gordon Earl Moore (um dos fundadores da Intel), a Lei de Moore dizia que o poder de processamento dos computadores dobraria a cada 18 meses. E pasmem: há mais de cinco décadas tem sido assim. Essa lei serve como base até hoje para os avanços na área de hardware – principalmente quando falamos em processadores, que são o coração e a mente de qualquer aparato tecnológico.

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Microchip com 14 nm

Explico melhor: é através dos processadores que determinamos a eficiência de notebooks, celulares, tablets, placas de vídeo e até televisores modernos, com tecnologias 4K ou HDR. A evolução dos processadores é medida em escala: quanto menores, melhores. E por que isso? O processador funciona movido pela eletricidade, que percorre os terminais e transistores em seu interior. Quanto menor a distância entre eles, mais eficiente se torna, já que ele precisa de menos tempo para chegar de A a B, por exemplo.

A estatura dos processadores já passou pela unidade de micrometros – próximos à espessura de um fio de cabelo – e hoje estão na casa dos nanômetros, que são do tamanho de uma célula do DNA humano (isso mesmo). Hoje, diversas empresas fabricam processadores com semicondutores de 14 nanômetros, a litografia padrão de mercado introduzida em 2014. A Samsung, por exemplo, os fabrica na linha Exynos, presente em seus smartphones, e a Apple também segue esse padrão nos chips A10 dos iPhones.

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A IBM demonstra chip de 7 nm

O problema é que esses componentes já estão extremamente reduzidos e começam a aparecer problemas de estabilidade pela falta de balanço entre e a tensão e a performance. Neste cenário, companhias estão com dificuldades para fabricar processadores e dar o próximo passo ao reduzir a escala dos microchips, já que a cada redução de diâmetro os terminais acabam ficando muito próximos um do outro, o que pode provocar um salto de energia involuntário entre um ponto e outro.

A boa notícia é que a IBM criou, em 2015, o primeiro semicondutor de 7 nanômetros funcional do mundo, indo muito além das gerações atuais e essencial para rodar diversas demandas. Isso representou um grande marco para a indústria de componentes internos de eletrônicos. Foram 5 anos e cerca de US$ 3 bilhões para descobrir, colocar na prática e aprimorar o procedimento de fabricação destes chips. Este feito silenciou muitos céticos da indústria que acreditavam que os chips de 14 nm seriam o ápice da Lei de Moore.

Lembrando que essa evolução é essencial para o avanço da indústria como todo possibilitando inovações em diversas áreas, como as  impressoras 3D no uso da saúde, dispositivos IoT no agrobusiness, empresas de entretenimento que trabalham com a realidade virtual e drones controlados remotamente que fazem as mais belas imagens.

A IBM garantiu que a Lei de Moore valerá ao menos por mais uma geração. Eletrônicos melhores, dispositivos da “Internet das coisas” mais inteligentes e processamento mais intenso em áreas como a computação em nuvem são alguns dos avanços que essa descoberta pode trazer. Esteja aí para ficar ou não, a Lei de Moore não representa nenhuma estagnação tecnológica. Apenas que a nossa curva de aprendizado possa demorar mais (ou menos) do que o esperado. E como podemos ver, a tecnologia atual já nos beneficia com serviços e facilidades que antes nem imaginávamos. Se precisamos mesmo esperar dois anos ou não para ter os tais transistores ainda mais, digamos assim, espremidos, uma coisa é certa: nosso progresso é garantido.

*Por Marcelo Costa

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