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Vou começar esse texto com uma frase que me inspirou durante a visita à Fundação Shunji Nishimura e FATEC de Pompéia Shunji Nishimura, no interior de São Paulo, no início de fevereiro:

“Se parar agrícola, mundo para”

Shunji Nishimura

Sr. Shunji Nishimura, fundador da Jacto e um dos maiores incentivadores do agronegócio no país

Quem disse isso, com um português bastante difícil, foi o Sr. Shunji Nishimura. Ele foi o idealizador da empresa de máquinas agrícolas, Jacto e, na minha opinião, é um dos mais respeitados nomes do agronegócio.

Antes de explicar o porquê, vou contar de onde tirei inspiração para falar de um setor tão importante para o nosso país. Recentemente estive em Pompeia, um lugar distante, bem distante (cerca de cinco horas da capital) e que até então eu nem imaginava que existia. Na verdade, eu já tinha ouvido falar da cidade ao lado, Marília, mas nunca tinha visitado também.

Enfim, chegando lá me deparei com um local gigantesco, parecido com um grande sítio onde ficam o SENAI, a FATEC e a Fundação Shunji Nishimura.

Nesse complexo, são realizados os estudos e procedimentos para aprimorar toda a cadeia que faz com que os alimentos produzidos no campo cheguem na minha e na sua mesa com qualidade e respeitando as regras de segurança necessárias.

Porém, mais do que isso, ali é onde é criada a mão de obra capacitada que permite que tudo isso ocorra!

Fatec Pompeia_Fundacao Shunji Nishimura

Agora a FATEC de Pompéia terá um curso de Big Data para o agronegócio. Crédito: Centro Paula Souza

Para ter uma ideia, hoje a FATEC conta com mais de 600 alunos e vem formando profissionais desde 2009, quando iniciou suas atividades. Além disso, conta na mesma unidade, com o SENAI, que tem cerca de 1.500 alunos.

Para melhorar ainda mais a capacitação e garantir que novas profissões cheguem ao mercado do agronegócio em nosso país, a FATEC Pompeia Shunji Nishimura acaba de abrir o curso tecnólogo de duração de três anos sobre o uso de Big Data no Agronegócio.

Essa primeira sala está recebendo 40 alunos que vão aprender e aprimorar os conhecimentos do setor agro com o uso da tecnologia de grande volume de dados. Isso permitirá uma análise melhor de todas as fases de um processo de plantio. A partir do momento que maquinários e softwares compreendem o uso da quantidade de fertilizante em determinada área ou mesmo quanto deve ser semeado, facilitará a vida do agricultor.

Ulisses_Fatec Pompeia

Ulisses Mello fala sobre a importância de Big Data no Agronegócio em aula inaugural. Credito: Centro Paula Souza

A primeira aula do curso foi inaugurada pelo Diretor do Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil, Ulisses Mello. A companhia vem fazendo um trabalho muito próximo da instituição, para levar ainda mais conhecimento e agregar valor ao setor, criando laços para melhoria do setor como um todo.

Shunji Nishimura

O Brasil não foi fácil para o Sr. Shunji Nishimura. Ele passou por muitas dificuldades quando resolveu sair do Japão e aportar em terras tupiniquins, vi no Museu que ele passou dois anos comendo e bebendo em uma lata de óleo (como uma dessas aqui).

A partir de muito trabalho árduo ele conseguiu construir maquinários para melhorar a agricultura no país. O que achei bastante interessante na trajetória desse simpático senhor foi que em dado momento, ele vivia no centro de São Paulo com a esposa e os filhos, passando dificuldades e resolveu pegar o trem na estação da Luz. Nas próprias palavras dele, “chegar no final da linha, lá tinha alguma coisa no fim”.

E tinha mesmo! Pompéia foi onde tudo começou. Na verdade… está só no começo de uma grande revolução. No momento que você está no complexo e percebe que empresas concorrentes de maquinários agrícolas estão cedendo seus equipamentos para um bem maior, que é esse aprimoramento tecnológico para o setor agrícola, dá uma felicidade boa. Uma, porque o segmento só tem a ganhar e tem espaço para todos. Segundo, que alunos poderão aprender mais e desenvolver aptidões importantes para suas profissões e mais ainda, em respeito ao legado que o Sr. Shunji Nishimura quis deixar para o Brasil!

Explicando o título, a viagem ao centro da terra fui eu que fiz, e não foi lendo um livro de Júlio Verne, foi entendendo quais os problemas, as necessidades e as oportunidades que o Brasil tem no agronegócio, na nossa terra. Esse é o nosso país, essa é a nossa raiz.

Este ano, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio deve crescer 2%. Prosseguimos em ampla expansão, com aumento percentual de 21,5% para 23% no PIB, de 2015 para 2016.

Bem, essa visita à Pompéia mudou todo um cenário na minha cabeça. Agora, toda vez que eu estiver consumindo algo que vem do campo, sempre me lembrarei do Sr. Shunji Nishimura e de como ele está colaborando tão ativamente para tudo isso.

Agradeço à família Nishimura e a toda a equipe pela calorosa recepção, explicações valiosas para que a gente possa entender cada vez mais sobre esse grande legado e como é preciso fazer parte de tudo isso.

Como comecei, finalizo esse post com uma frase do Sr. Nishimura, para que seja de inspiração para muitas pessoas que também querem mudar o país que vivemos: “Devolver a Brasil o que ele deu”.

* Por Maria Fernanda Espisona

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