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Sempre fui uma pessoa de gosto musical bem eclético. Vou e volto nos estilos como vou e volto do trabalho. Alguns clássicos sempre ficam no meu celular – Bob Marley, Red Hot, Mos Def – mas às vezes tenho “fases” bem definidas, pego um artista e fico dias estagnada nele até quase enjoar.

A fase que mais me marcou foi o rock, dos 13 aos 17 anos. Eu era a verdadeira caricatura da pré-adolescente rebelde que extravasava todas as energias ouvindo um bom solo de guitarra bem alto no fone de ouvido.

Certo dia, um grande amigo me disse que tinha uma guitarra Stratocaster, preta, parada em casa e estava afim de vendê-la. Óbvio que eu comprei, primeiro por pensar que poderia pesquisar por vídeos no youtube e aprender algumas lições. Afinal, não é assim que várias pessoas fazem?

Pois bem, a “querida” foi vendida uns 30 dias depois. Falta de determinação? Garanto que não. Falta de saber por onde começar? Talvez. Mas naquela época eu cheguei à conclusão de que eu simplesmente não tinha facilidade com as cordas.

Me lembrei dessa situação recentemente ao ver uma matéria que contava como a youtuber americana, Taryn Southern, produziu seu mais recente ”I AM AI”, utilizando a inteligência artificial no processo criativo. Algo similar como o Alex Da Kid fez ano passado. Em seu depoimento ela conta que selecionou alguns ritmos e instrumentos que aprecia, bem como o tom das emoções em suas letras e, com base nisso, a plataforma produziu um modelo que pôde ser modificado posteriormente.

A parte que mais me chamou atenção foi quando ela disse que se sentiu mais conectada com sua obra graças à autonomia que as plataformas de inteligência artificial proporcionaram. Artistas que não têm facilidade em tocar instrumentos dependem de uma equipe para produzir a sua música, e muitas vezes este processo é desgastante já que pode demorar meses até chegar na versão final.

O Watson BEAT foi protagonista em outro projeto musical inspirador: Seth Rudetsky, um músico da Brodway, juntou quatro músicas em uma usando os conhecimentos teóricos musicais que foram ensinados à plataforma. Parece uma ideia maluca, mas é assim que funciona com a criatividade, não é?

1673173-inline-750-musicGraças à minha experiência mal sucedida com a guitarra, consigo entender o que a Taryn quis dizer. E vejo inúmeras possibilidades proporcionadas pelas tecnologias cognitivas quando aplicadas à indústria de criação. Pense no seguinte cenário: uma ideia embrionária existe dentro da sua cabeça, com coerência e potencial. Mas devido a uma dificuldade ela não se concretiza. É frustrante.

Por isso acredito que não só a cena musical, mas a gastronomia, o cinema, e outras esferas criativas têm a ganhar com as plataformas inteligentes. Elas são aquele empurrãozinho que muitas mentes brilhantes precisam, ainda que seja do artista a palavra final.

E você? O que faria se pudesse pedir ajuda ao Watson?

*Por Alessandra Custódio

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