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Há alguns meses eu tenho trabalhado ativamente com blockchain. Não com a construção da plataforma, mas com o seu conceito em si. Tive uma certa intimidade com o assunto desde 2016, quando tentei descomplicar seu entendimento comparando-a a uma máquina de batata chips. Acho que deu certo. Na verdade, presumi por conta própria que fui compreendida, pois ninguém levantou questionamentos.

Particularmente sou fascinada pelo assunto e, durante o tempo que tenho me dedicado a ele, venho me informando cada vez mais. Uma das leituras foi a do livro Blockchain Revolution, de Dan Tapscott e seu filho Alex. Ele fala muito da revolução pelo ponto de vista financeiro, mas dá exemplos esclarecedores de como a tecnologia será utilizada em diversos setores da economia. Além disso, levanta os pontos delicados da segurança da informação. É mesmo uma boa pedida para quem quer aprender um pouco mais.

Às vezes eu ouço as pessoas dizendo que blockchain é uma tecnologia do futuro. Não acredito nisso porque estou vendo ela ser utilizada neste exato momento e para os fins mais variados. E isso é impressionante. Na semana passada, por exemplo, a IBM fez um evento para imprensa e influenciadores, o Inovação em Debate, no qual apresentou casos de blockchain nos setores de agronegócio, saúde e bem social. Em todos eles tive uma comprovação: o tema já está na pauta das empresas e, nós, os consumidores, poderemos em breve ter controle sobre a qualidade do alimento que comemos, do destino exato das doações que fazemos para instituições, ONGs ou obras filantrópicas, do nosso histórico médico etc.

Quando íamos imaginar que esse assunto chegaria ao nosso controle, não é? Acho que nem o seu criador, Satoshi Nakamoto, imaginava

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Em uma das palestras, apresenta da pelo gerente de grãos da Belagrícola, Claiton José Silveira de Souza, ele abordou o conceito de blockchain para controle e rastreabilidade de grãos. Hoje, temos uma grande dificuldade em saber se os alimentos são corretamente armazenados, manipulados e de onde vieram. Por exemplo, no momento em que um grão virar pão, farinha, óleo ou mesmo alimentar animais, conseguiremos entender qual o caminho que toda essa cadeia percorreu até chegar ao nosso prato.

Isso vale para tudo: vegetais, frutas, sucos etc. Entenda você que, de acordo com a OMS, anualmente, uma em cada dez pessoas adoecem – e 400 mil morrem – por causa de alimentos contaminados. Se pudermos evitar pelo menos que uma parcela dessa população sofra desse mal por falta de segurança alimentar, estaremos preservando muitas vidas.

INOVAÇÃO_EM_DEBATE_BF-3-11No contexto de saúde, o blockchain também é favorável pelos registros das informações e a credibilidade que podemos ter delas. Durante palestra no evento, Guilherme Rabello, gerente comercial e de inteligência de mercado no Incor, explicou que essa tecnologia veio para revolucionar os métodos comuns utilizados no setor de saúde. Em uma explicação breve, imagine um atendimento médico dentro de um hospital. Com o Blockchain será possível que todos os profissionais de saúde tenham acesso a um mesmo prontuário sobre o histórico médico de cada paciente, bem como o responsável pelo seu tratamento. São situações rotineiras que podem atestar problemas ou mesmo fraudes na área da saúde.

INOVAÇÃO_EM_DEBATE_BF-8805Outro problema muito comum que também foi descomplicado nesse evento foi a questão das doações para entidades filantrópicas. O CEO da Welight, Pedro Lins, falou sobre como a tecnologia de Blockchain pode ajudar no rastreio das doações. Eu faço contribuições mensais para algumas ONGs de animais e uma de crianças com câncer. Se me perguntarem se eu confio piamente no caminho que o meu dinheiro faz até chegar nesses locais, eu posso dizer que não. Pode ser que uma parcela seja realmente utilizada, mas se algo for desviado, não tenho controle. Para se ter uma ideia, no livro do Dan e Alex Tapscott eles explicam que boa parte das doações arrecadadas pela Cruz Vermelha, na época em que ocorreu o terremoto no Haiti, nunca chegaram ao seu destino. Para onde foi esse dinheiro? Ninguém sabe – talvez algumas pessoas, obviamente.  Neste caso, o que o blockchain pode fazer pela pessoa que de muita boa vontade cede uma quantia para filantropia? Rastrear. Ter controle do dinheiro desde o momento em que ele sai da conta até a hora que cai no concedido. Ora, parece simples, não é mesmo?

Para mim, blockchain é ainda um mundo perfeito, no qual teremos o controle de tudo, sem que a gente seja lesado por nenhuma parte. Até quando a tecnologia vai permanecer da forma que é, não sei responder. Existem variáveis que podem realmente mudar o rumo de tudo, mas enquanto estivermos caminhando para uma imutável, segura e rastreável ferramenta que nos certifique a qualidade de vida e a dignidade, estarei mais do que feliz.

*Por Maria Fernanda Espinosa

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