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Considerado por muitos o maior enxadrista de todos os tempos, Garry Kasparov esteve recentemente no Brasil para participar do IBM Watson Summit, evento que discutiu como o homem e a máquina podem colaborar e trabalhar juntos. Aproveitamos uma brecha na agenda do Kasparov para bater um papo sobre curiosidades de sua vida, a grande partida contra o Deep Blue, o xadrez como uma ferramenta educacional e sobre a importância de cada vez mais trabalharmos em conjunto com as máquinas inteligentes.

TI+Simples: O que o xadrez representa na sua vida?

GK: Eu jogo xadrez desde que tinha 5 ou 6 anos, lembro de ser apresentado ao jogo, assistindo meus pais tentando resolver um dos problemas de xadrez publicado no jornal e eu amei o jogo desde a primeira vez que vi foi um encontro divino e de alguma forma me senti conectado com essa tábua de 64 quadrados, peças de madeira foi uma importante parte da minha vida.

TI+Simples: Você esperava ganhar do Deep Blue? Como foi a sua preparação para a partida?

GK: Bom eu ganhei a primeira partida, mas perdi a segunda. Eu descrevo no meu mais recente livro que foi minha culpa não esperar que o Deep Blue faria tanto progresso de 1996 para 1997. Ainda penso que em 1997 eu estava mais forte, mas a partida exigia uma maior preparação. Eu não estava preparado para a batalhe que enfrentei.

Chess champion Gary Kasparov contemplating board, training for his May rematch w. smarter version of Deep Blue, IBM computer that spooked him last yr. (Photo by Ted Thai/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

(Crédito: Ted Thai)

TI+Simples: O que você sentiu quando você foi derrotado pelo Deep Blue? Foi pior do que ser derrotado para uma pessoa?

GK: Foi a primeira partida que eu perdi e ponto final. Eu nunca tinha perdido uma partida antes então era difícil comparar. Na época fiquei muito frustrado e enraivecido, mas agora, 20 anos depois, nos olhamos as coisas com menos raiva, menos emoções e ansiedade. Eu sei o que fiz de errado e no meu livro eu tento ser bem objetivo em  descrever o evento.  

TI+Simples: Qual foi o gatilho que fez você realizar que podemos ser mais fortes se trabalharmos em conjunto com as máquinas, ao invés de evitá-las e temê-las?

GK: Eu acostumava a analisar todos meus jogos e tentava criar alguns conceitos porque eu era bom e conseguir enxergar o cenário como um todo e com alguns meses depois da minha segunda partida com o Deep Blue eu pensei: por quê não colaborar? Pois ao final do dia apesar de eu achar que era melhor que o Deep Blue em 97 eu realizei que era apenas uma questão de tempo. Talvez um, dos, três, quatro anos … máquinas serão melhores. Eu fui forte o suficiente psicologicamente para aceitar a realidade. Foi quando pensei: por quê não trabalharmos juntos? Porque não combinar combinar a intuição e criatividade humana com a força bruta das máquinas e sua capacidade ilimitada de calcular.

TI+Simples: Você acha que é importante desenvolver novas habilidades por meio de esportes como o xadrez? O que você diria para um criança ou um jovem que começou a estudar agora?

GK: Olha, eu acho que não é produtivo dizer que certas coisas não deveriam ser feitas porque máquinas fazem melhor. Usain Bolt não pode competir com um carro, mas as pessoas ainda praticam o atletismo, além de existir animais que são mais velozes que humanos. Eu acho que é importante olharmos para jogos como o xadrez como uma potente ferramenta de educação. O que esses jogos podem trazer para as crianças. Porque temos um grande desafio com o sistema educacional, pois ao olhar para o sistema ao longo dos anos verá que pouca coisa mudou. Basta olhar para a sala de aula de 100 anos atrás e você verá pouca diferença. Pois, se a educação é sobre preparar os jovens para o futuro, os futuros trabalhos, devemos perceber que a informação que eles recebem hoje será redundante amanhã. Por isso quando terminam a escola e a universidade, daqui 10 anos eles estavam vivendo em um mundo onde os dados que eles coletaram estudando será irrelevante. Estamos num momento em que um garoto com o deslizar dos dedos tem acesso as informações que um professor precisou estudar a vida toda para ter. Por isso temos que nos concentrar em como. Como as coisas podem ser feitas e não o que. E nisso o xadrez ajuda. O xadrez é sobre analisar as suas decisões. É sobre adquirir o senso do cenário geral, eu faço algo aqui e depois o efeito está lá. Xadrez é uma boa ferramenta para ajudar as crianças estarem preparadas para os desafios do século 21.

 

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